Um perfume, duas horas de conversa e uma reflexão sobre gosto
Há uns dias aconteceu-me algo curioso.
Estava a tomar um café e ao meu lado sentou-se um rapaz.
Reconheci o perfume que estava a usar e perguntei-lhe se era o Portrait of a Lady. Confirmou e, quando reparámos, tinham passado duas horas.
Falámos de perfumes, de matérias-primas e de como entender a identidade olfativa dos outros. O tempo voou.
Foi um encontro inesperado entre duas pessoas que partilham o mesmo gosto. Concordámos que o perfume desperta emoções difíceis de controlar.
Talvez por isso a perfumaria me fascine tanto.
Essa conversa fez-me pensar numa pergunta importante.
É possível definir o estilo pessoal sem antes cultivarmos o próprio gosto?
Diria que não.
O estilo pessoal começa muito antes da roupa. Não nasce no armário. É um reflexo do nosso gosto e dos nossos interesses.
Nos programas de imagem pessoal da Blossom, quando pergunto aos meus clientes quais são as suas paixões, muitas pessoas ficam em silêncio.
Não porque não as tenham, mas porque raramente param para pensar nelas.
Se for o seu caso, deixo-lhe 10 perguntas/tópicos que podem ajudar.
Onde e como gosta de passar o seu tempo livre?
Tem algum estilo musical preferido?
Algum escritor de que goste particularmente? Ou talvez não leia, mas devore podcasts?
Sente curiosidade pelo mundo das artes? Adora ciências? Arquitetura? Museus? Gosta de dançar, desenhar, fotografar?
Ama ir ao cinema? Ou identifica-se mais com o universo do desporto?
Prefere caminhar na natureza e observar o silêncio ou não perde uma festa? Ou gosta dos dois cenários?
Adora viajar? Que destinos prefere?
Existe um ou mais restaurantes a que gosta de voltar? Um tipo de comida que faz com que se sinta em casa?
Tem um ou mais perfumes de eleição? Adora o mundo da beleza ou da moda?
Adora aprender mais?
Todas estas preferências contam uma história.
O estilo pessoal nasce do cruzamento entre quem somos, o que nos inspira e a forma como vivemos o mundo.
Quando nos observamos com mais atenção, tornamo-nos mais conscientes do que nos dá prazer e do que pode ser prioritário para nós.
As coisas que nos atraem — a música, os lugares, os objetos, as roupas — são pequenas partes de nós que tentam, de alguma forma, dizer-nos algo sobre quem somos. E é quando começamos a reparar nessas pistas que conseguimos traduzir-nos para o mundo.
A nossa imagem (perfume incluído) ajuda-nos a criar pontes com pessoas que se identificam connosco. É precisamente o universo dos perfumes que exploramos nos cursos de Introdução à Perfumaria e de Imersão Olfativa. Se tem curiosidade pelo tema, descubra as próximas edições aqui.
